terça-feira, 6 de março de 2012

Operação Esplanada, Explanada

Na verdade o plano é relativamente simples, como vocês podem ver. Eu chamo de 'revolução dos mendigos', mas podemos mudar pra 'insurreição dos sem-teto' pra ficar um pouco mais politicamente correto, ja que hoje em dia é muito fácil ser processado pelo preconceito de  quem lê do que pela mensagem emitida, mas esse não é o ponto. Voltemos ao plano inicial.

Existem várias espécies de protestos rolando Brasil afora, marcha das vadias, marcha da maconha, caminhada pela paz, parada gay e por aí vai. O que proponho é o seguinte: uma marcha dos desabrigados, mendigos, sem-teto, 'à toas', vadios, vagabundos e quem mais quiser participar, até Brasília. Convenhamos, quem não tem o que fazer, se for devidamente motivado, leia-se aqui uma grana fácil, comida e uma eventual possibilidade de entrar pra história (ou simplesmente sexo), certamente vai topar participar.

Os outros cidadãos incorfomados com a atual situação do nosso país, com toda essa corrupção e a corja que assola e habita os corredores do Distrito Federal (se bem que nem todos que deveriam estar por lá realmente se fazem presentes) também poderão contribuir. Os ciber-ativistas podem xingar muito no twitter, marcar eventos virtuais no facebook, montar petições e abaixo-assinados online para suportar a causa e, eventualmente, divulgar a conta bancária da nossa ONG para que possamos receber as doações necessárias para sustentar a marcha (afinal de contas, a galera que estará lá, de corpo presente, precisa de um infra-estrutura).

Deste modo, todos participam! O indivíduo que sempre foi visto pela sociedade como um inútil finalmente estará provando que ele tem o seu devido valor, que está lutando pelos seus direitos, está tentando fazer aquele utópico artigo 14 da Constituição funcionar, via iniciativa popular! E os que não estiverem por lá podem ficar com a consciência limpa, pois mesmo que estejam contribuindo indiretamente, estão suportando a causa. Ninguém terá que fazer greve, deixar os preciosos empregos, xingar a mãe, ou qualquer coisa do tipo. Quem puder ir até o acampamento na  Esplanada dos Ministérios terá todo o apoio do movimento.

Será um protesto pacífico, ficaremos todos lá, até que sejamos ouvidos. Até que nossa opinião tenha algum valor, que nosso voto faça sentido!

- E quais serão as reivindicações?

- Acho que é meio óbvio, não? Tirar o Mano da seleção e colocar, quem sabe, o Muricy.

domingo, 20 de novembro de 2011

Má ideia

E por mais que se faça ausente
ainda apareça nos meus sonhos,
e quando estes se tornarem pesadelos,
e eu desejar não mais dormir
para que acordado me lembre do que foi,
como era, ou como quis que fosse,
até que cada recordação se torne
uma memória inventada,
e cada instante se condense numa imagem,
um sorriso, um olhar, uma mordida
e assim, quando tudo mais desvanecer,
e minhas lembranças se reduzirem a um nome,
você deixará de ser alguém
para se tornar somente uma ideia e nada mais.
Afinal de contas, todos temos más ideias, não?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Teorema da Divergência

- Antes disso, atente ao seguinte fato: é muito mais fácil as pessoas discordarem do que concordarem -- disse ele enquanto acendia um cigarro de palha, e continuou -- pois existem incontáveis pontos distintos para os quais é possível divergir e, perante toda essa infinidade, as chances de que convirjamos para o mesmo ponto é incrivelmente menor. 

E conforme o tempo passa esse infinito só aumenta. Note que por mais que duas pessoas passem pelas mesmas situações, ainda que por anos juntas,  elas não adquirem nem sentem as mesmas experiências. Citando o Bondía, a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. 

Ou seja, até mesmo quando compartilhamos as mesmas 'experiências' que alguém, evoluímos de modo diferente, pois nos acontecem coisas diferentes. Entende?

-Amor, eu só te perguntei se você acha que eu engordei. A resposta é simples: sim ou não.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Exercícios Ímpares

Nesse mundo enlatado,
onde pouco é criado
quase tudo é copiado
e não há mais invenção

Seguimos atropelados,
sem olhar pra qualquer lado
empurrando com a barriga,
metendo os pés pelas mãos.

Chafurdados em problemas,
recriando várias cenas
pois se a história se repete,
é por falta de atenção.

E assim, girando manivelas,
sem pensar no que há nelas
como se acendessem velas
esperando a salvação.

Não lembram que a experiência
é o que acontece com a gente
e que não é simplesmente
o coletar de informações.

E nesse imediatismo,
na ânsia por respostas
esquecemos que o que importa,
na verdade, é a solução.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Show da Vida

Júlia era uma garota antenada. Antenada não, isso é da minha época, Júlia era uma garota 2.0, conectada e virtualmente ativa. Como a maioria das mulheres, conseguia fazer diversas coisas ao mesmo tempo, então blogava, mandava scraps, +1's, curtia, compartilhava, tuitava e retuitava e, quando desligava o computador, corria para o smartphone para enviar fotos e mais fotos para a web.

Como uma boa blogueira, tinha opiniões concisas sobre todos os assuntos do momento (tá, sobre os trending topics). Assim, como uma especialista, discorria sobre o conflito no Iraque, a seleção brasileira de futebol, o SPFW, o governo Dilma e os livros do Paulo Coelho (mas nunca se perguntava o que faria no dia em que a Wikipédia saísse do ar).

Era tão bem relacionada na web que até um video pornô amador seu acabou circulando numa lista de e-mails, e não tardou para que o twitter de @julinhafernandez fosse infestado por mensagens diversas: uns perguntando quanto era o programa, outros organizando um leilão e, no meio de tanta coisa, aquelas pessoas que se sentiam no direito de expressar sua opinião em relação à tão exposta persona virtual.

Obviamente sua vida na faculdade tornou-se impraticável e ela, que fazia tanta questão de ser tão bem relacionada, foi se trancando aos poucos. Passou semanas sem dar notícias a ninguém, até que uma mensagem sua finalmente apareceu na rede, dizendo que ia aproveitar o recente sucesso no mundo do pornô amador e faria sua estréia online, ao vivo, via webcam às 21h (horário de Brasília).

Foi assim que, naquela noite, milhares de garotos com o pau na mão assistiram o breve discurso de Júlia sobre como ela não queria ser conhecida apenas por um vídeo amador de sexo oral (bem interessante, diga-se de passagem), mas sim pelas suas ideias sobre o mundo (não tão interessantes, infelizmente).

O vídeo de 43 minutos da garota com os pulsos cortados, sangrando até a morte, ainda pode ser encontrado em alguns sites. Mas o campeão de visitas ainda é o do boquete.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Religião e o Princípio Variacional

Antes que me crucifiquem, me apedrejem ou me mandem pra fogueira (pois, ao que parece, esse é o hábito de alguns religiosos), este texto é só uma breve divagação acerca da – até então confirmada – não existência de Deus.

É uma ideia extremamente simples, embasada em princípios elementares da dita Ciência moderna (que tem como marco os primeiros experimentos de Galileu, algo em torno do final do século XVI e início do século XVII), chamada de Princípio Variacional. Explico.

Apesar de haver uma certa controvérsia entre quem foi o primeiro a estabelecer tal princípio, nomes como Fermat, Maupertuis, Leibniz, Euler e Bernoulli estão na disputa. O que eles dizem, essencialmente, é que existe uma grandeza denominada ação, cujo valor depende da trajetória do sistema observado. O que  é postulado pela mecânica (e se verifica) é que a trajetória que um sistema físico segue é justamente aquela que minimiza esta ação.

Contudo, dentre todas as possíveis opções de crença disponíveis no 'mercado religioso' atual, qual delas requer menos esforço para seguir ou, até mesmo, simplesmente acreditar? Pense bem. Listo aqui algumas obrigações religiosas mais comuns: orar (que já inclui o esforço mental de acreditar que tem alguém ouvindo o que você está pensando), seguir um conjunto de regras (sejam os 10 mandamentos, um livro-texto como a Bíblia, Corão, Torá, Bardo, Cultura Racional), participar de rituais (onde incluo reuniões, cultos, mesa-branca, missas e derivados), pagar dízimos, e por aí vai, ad infinitum.

Por outro lado, correndo o risco de arder no inferno, um ateu-padrão evita todos os 'contratempos' inerentes à religião, listados no parágrafo anterior. É uma opção muito mais prática e que, claramente, despende muito menos esforços.

Assim, se levarmos em conta que o Universo segue o princípio da mínima ação (ou mínima energia) ou, melhor ainda, em termos técnicos, segue a 'lei do mínimo esforço', notamos que o ateísmo é a opção mais condizente com o nosso Universo. Deste modo,  não se criam esforços extras, só o necessário e suficiente para que possamos viver de um modo coerente, com ações baseadas nas suas reais consequências e não no medo de 'desapontar' um deus ou outro.

Resumindo, não acreditar em Deus dá menos trabalho e gera menos encrencas.

domingo, 8 de maio de 2011

Do pouco que restou

À garota italiana
Minha eterna dançarina,
Que minha alma profane.

Seu olhar que não engana,
De natureza divina,
Que o meu corpo inflame.

Tão bela, parnasiana,
Com seu ar de menina,
Que nunca se engane.

Que de sua essência urbana, taurina, emane
aquilo que tanto amo, sem que eu me explane.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A verdade sobre a nostalgia

Quantos filmes, livros, músicas e afins já foram feitos sobre a tão desejada viagem no tempo? Quanto tempo já perdemos repensando situações várias e várias vezes? Quantas vezes nos perguntamos onde queremos chegar com tantas perguntas retóricas?

Às vezes ela chega do nada, sorrateira, como um cheiro perdido da infância, um rosto familiar ou uma música antiga. Obviamente, nem sempre é assim. 

Meu ponto é o seguinte, a nostalgia é conveniente. É um lugar seguro, um terreno conhecido. E, pra ajudar, temos a tendência de esquecer os maus momentos (exceto aqueles traumatizantes, talvez) e guardar somente nossas lembranças felizes e alegres. Assim, quando as coisas não estão tão boas, aquele desejo de se ver numa situação controlada e conhecida se faz presente. 

É importante também diferenciar a saudade e a nostalgia. A primeira pode ser sanada entrando em contato com o 'objeto' saudoso em questão, enquanto a outra costuma aumentar cada vez mais se tentarmos recorrer ao que já passou.

Sua etimologia deixa claro seu real sentido, vem do grego nóstos (regresso ao lar, no seu sentido mais amplo) e álgos (cujo plural é álgia, que significa dor). É o sofrer pela vontade de regressar ao lar.

Curiosamente, conseguimos nos lembrar muito bem do passado, mas raramente nos lembramos do futuro (ou vai dizer que o déjà vu é uma falha na Matrix?). Sendo assim, é impossível sentir a nostalgia pelo que há de vir. O que é bom também, porque a experiência que não se repete torna a vida interessante; talvez seja esse o motivo de não nos lembrarmos do que vai acontecer. É uma espécie de incentivo. E assim vamos vivendo, por experiências, não por tempo decorrido.

Aliás, se viver fosse medido em anos, só viveríamos metade. A outra metade passaríamos morrendo.

Portanto, se recordar é viver, também é morrer um pouco. E talvez seja por isso que, supostamente, quando estamos prestes a morrer vemos toda nossa vida passar diante dos olhos.

terça-feira, 22 de março de 2011

As melhores coisas do mundo

Em uma pesquisa totalmente imparcial, com o enorme espaço amostral de 3 amigos, o resultado é unânime: as quatro melhores coisas do mundo são comer e viajar. E dormir no intervalo entre elas. 

Contudo, enquanto 'comer' é algo relativamente bem estabelecido, o  conceito de viagem é muito amplo.

Viajar pode ser definido, de modo geral, como simplesmente sair de uma certa condição ou estado sem necessariamente ir pra outro previamente determinado. Neste caso cabe o lugar comum 'é melhor viajar com esperança do que chegar'.

Podemos apreciar melhor o conteúdo que o ditado anterior encerra quando a viagem não possui um destino exato. O deixar-se levar sem a preocupação de ter que chegar a algum lugar nos permite notar melhor o que se passa ao nosso redor, tornando a jornada em si o objeto de atenção prioritário.

Mas quando a viagem termina? Se não se faz necessário um destino específico, podemos dizer que o fim do trajeto é o mesmo local de início, numa espécie de caminho cíclico percorrido. Se voltamos ao estágio inicial, o tal percurso está completo: o retorno. A questão é que nem toda viagem leva à algum lugar, ou volta ao local de partida.

E quando a viagem não tem volta nem destino, é melhor aproveitar bem a paisagem.

Tao Te Ching - capítulo 47

Without going outside, you may know the whole world.
Without looking through the window, you may see the ways of heaven.
The farther you go, the less you know.

Thus the sage knows without travelling;
He sees without looking;
He works without doing.


-Lao Tzu (tradução de Gia-fu Feng and Jane English)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Porra Drummond

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Drummond


Simples assim, errr... quer dizer, complicado assim.

Milk Shakespeare também tinha uma frase que deve ter roubado de alguém (como a maioria das outras coisas) em que dizia "O amor tem razões que a própria razão desconhece"

E por ai vai... as definições de amor vão de um lado para o outro mas sempre acabam da mesma forma, sem nenhuma explicação.

Mas como querer se explicar um "fogo que arde sem se ver"? uma "ferida que dói e não se sente"?

Eu tenho uma teoria, que vem sendo provada na prática:

Amo toda e qualquer verdade,
Mesmo que doa ou me desagrade,
Que me alegra ou me deprime,
Que me sufoque ou me anime.

Amo tudo que é verdadeiro,
Mesmo que seja passageiro,
Que me completa por inteiro,
Que queima como braseiro.
Assim, inteiro...